The Doors: O estilo próprio de uma banda de rock é pela primeira vez adjetivado de “gótico” por jornalista cultural

The Doors

Publicado originalmente em página do extinto site Scathe.
Tradução, comentários e inserções (descatados por colchetes) por Fábio Conatus

O primeiro uso do termo “góticos” para descrever os membros da subcultura [gótica] que fui capaz de descobrir se encontra num artigo de Tom Vague publicado em outubro de 1983 no relançamento da Zig Zag (editada por Mick Mercer).

Ao descrever o público do concerto do Death Cult em Berlin, ele diz: “… e eles são também um grupo bastante heterogêneo. Hordas de góticos (“goths”, termo usado no texto original em Inglês, que se traduz por “godos”,  e por “gótico”, que é um adjetivo). Poderia ser London …”

[ Nota do tradutor:  O Brasíl é um dos poucos países  em que por um tempo (a partir de meados dos anos 80) os “góticos” foram também chamados de “darks”. Soube que isso também aconteceu na Espanha e na Argentina. Lembro de ter lido há muitos anos algo sobre um jornalista ter criado esse chamamento. Descobri quem foi o jornalista, Pepe Escobar, ao ver este vídeo em dezembro de 2018 (o trecho de interesse aqui começa aos 5:50) ]

O que parece ter acontecido é que o termo “gótico” [gothic, o adjetivo] de início estava pairando e era ocasionalmente usado com adjetivo para descrever o estilo de bandas de rock, mas finalmente se firmou [como “goths” para identificar membros da subcultura gótica].

Não houve um único responsável por isso, mas os primeiros usos significativos do termo são os seguintes:

The Doors

O estilo musical do The Doors foi adjetivado de “gótico” em 1967. Interessante, pois um considerável número de bandas góticas ou relacionadas à subcultura gótica (como o Joy Division) foi influenciados por eles.

[ Nota do tradutor: Veja aqui um transcrição do artigo de março de 1967 do crítico John Stickney, intitulado FOUR DOORS TO THE FUTURE: GOTHIC ROCK IS THEIR THING e reproduzido no site da banda. O jornalista usou a expressão mais uma vez em outubro do mesmo ano ao fazer uma resenha do álbum Strange Days — que havia sido lançado no dia 2 daquele mês –, como registrado na transcrição de página da Wikipédia abaixo:

Wikipédia: “Critic John Stickney used the term ‘gothic rock’ to describe the music of The Doors in October 1967, in a review [of the album Strange Days: full album on YouTube ] published in The Williams Record.[16] Stickney wrote that the band met the journalists “in the gloomy vaulted wine cellar of the Delmonico hotel, the perfect room to honor the gothic rock of the Doors”.[16] The author noted that contrary to the “pleasant, amusing hippies”, there was “violence” in their music and a dark atmosphere on stage during their concerts.[16]”   ]

 

David Bowie

Em 1974, Bowie adjetivou seu álbum Diamond Dogs de “gótico”. Outras bandas talvez tenham usado o termo também, mas seu uso é irrelevante diante do de Bowie dada a inegável influência deste na incipiente cena gótica. É possível que o uso do termo por Bowie tenha influenciado Martin Hannett [v. próximo item] e/ou Siouxie.

 

Joy Division

Joy Division foi pelo menos duas vezes associado ao termo muitos anos antes do seu uso para designar um estilo musical coletivo.  Martin Hannett, produtor do álbum Unknown Pleasures, afirmou que a banda fazia uma “dancing music with gothic overtones.” [ Leia mais sobre a afirmação de Hannett aqui ]

Tony Wilson, apresentando seu programa de TV  Something Else  transtmitido em 15/9/79 também usou o termo numa referência à música do Joy Division:

“(…) unsettling, slightly sinister and gothic” disse ele numa entrevista com o DJ da BBC Radio One Paul Burnett e o baterista Stephen Morris para explicar por que as músicas da banda não são tocadas nas rádios.

Vê-se a fala de Wilson entre os 4m24s e os 4m45s deste vídeo: